Qual
a origem das baratas?
Os
registros mais antigos de baratas datam do período
Carbonífero (há 320 milhões de anos). Elas foram
reconhecidas basicamente pelas impressões deixadas por
suas asas, num tipo de fossilização onde apenas o
relevo das nervuras foi preservado. O padrão destas
nervuras é característico de cada uma das espécies,
permitindo assim sua identificação/classificação.
As mais antigas baratas da América do Sul pertencem ao
final do Carbonífero (280 milhões de anos) e também
foram reconhecidas somente por suas asas. Porém, existem
algumas exceções: nas rochas calcárias de Formação
Santana (datada em 112 milhões de anos, período
Cretácio Inferior), região de Santana do Cariri,
Ceará, foram encontrados insetos extraordinariamente
preservados. Neste período, inclusive, as baratas foram
contemporâneas dos dinossauros.
As baratas atuais, quando comparadas a suas ancestrais,
demonstram uma enorme capacidade de adaptação às
mudanças ambientais, apresentando pequenas variações
morfológicas. Desde a sua origem até hoje, as
modificações mais acentuadas ocorridas nos corpos
destes insetos foram: variação no padrão e número das
nervuras das asas e espinhos das patas. Não foram, no
entanto, elucidados quais os benefícios que estas
alterações possam ter trazido para o processo de
adaptação.
O curioso é que no Cretáceo da Formação Santana foram
encontradas baratas com grande ovipositor (tubo por onde
saem os ovos das fêmeas), chegando a 1/3 do comprimento
total do corpo, além de outras espécies de insetos com
ooteca (bolsa de ovos). Dentre todos eles, somente as
baratas permaneceram e, provavelmente, sobreviverão
mantendo suas características por muito tempo.
Marcio
Mendes
Depto. de Zoologia dos Invertebrados e Paleontologia
Universidade Vale do Rio Doce / Museu de História
Natural
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