Por
que o ato de pensar e aprender é tão exaustivo? Que
energia é essa que gastamos para conseguir formular um
pensamento ou aprender um conceito? Por que nos
recuperamos mais depressa de um trabalho físico do que
de um trabalho intelectual?
(Magali Izuma, Caldas Novas, GO)
O
cérebro consome energia para a realização de tarefas,
assim como todo o resto do organismo. Essa energia vem da
quebra de moléculas, principalmente a glicose. Seja para
realizar um ato de pensamento ou um de esforço
conceitual, a energia utilizada será proporcional ao
número de neurônios (células nervosas) envolvidas no
processo.
Nada indica que aprender requeira mais energia do que
subir uma ladeira. No entanto, o trabalho cerebral pode
exigir um número muito maior de etapas de processamento
neuronal do que a simples execução de um programa
muscular já conhecido ou fácil.
Imaginar qualquer relação entre atividade mental e
consumo de energia é o mesmo que perguntar se um
motorista gasta mais gasolina se estiver dirigindo com
prudência e habilidade do que se estiver conduzindo seu
carro de maneira deselegante e perigosa. No limite, pode
haver uma relação entre dirigir com graça e elegância
e consumir menos energia. Da mesma forma, o indivíduo
que gasta mais energia para pensar pode estar realizando
alguma tarefa acima de sua capacidade ou de dificuldade
exagerada.
Não há uma relação importante entre gasto de energia,
sensação subjetiva de exaustão (que depende também de
outros fatores) e processamento mental -- este em
oposição ao processamento de planos motores, como os
envolvidos em um exercício físico. É possível que a
leitora esteja impressionada com alguma sensação
própria, individual, procurando generalizar algo que
varia enormemente de caso para caso.
Henrique
Schützer Del Nero
Psiquiatra, coodenador do Grupo de Ciência Cognitiva
Instituto de Estudos Avançados, da Universidade de São
Paulo
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