Células
Representação artística de uma célula eucarionte.
Introdução
As células são componentes fundamentais de todos os organismos
vivos do planeta Terra. Cada célula dá estrutura e funcionamento ao ser vivo
do qual a célula faz parte, ou seja, a célula é a unidade morfofisiológica dos
seres vivos.
Os menores organismos são unicelulares e microscópicos,
enquanto que os organismos maiores são pluricelulares. Os seres unicelulares,
evidentemente, não formam tecidos, mas podem constituir colônias.
Ocorrem em grande quantidade em todos os ambientes. Grande parte
da biomassa dos solos é composta de bactérias.
Os seres multicelulares podem ser compreendidos como uma complexa "edificação"
onde células semelhantes se agrupam formando tecidos, e estes, os órgãos.
Apresentam muitos tipos de células, que diferem em tamanho,
forma e função. Assim, nos animais, temos os tecidos nervoso, muscular, adiposo,
etc.. Nos vegetais há os tecidos: meristema, parênquima, colênquima, etc..
Nos fungos, a célula é denominada hifa. O agrupamento
de hifas é chamado micélio, mas este não é considerado um tecido verdadeiro
como o das plantas e animais.
Os seres do reino Protista são eucariontes e compreendem
as algas unicelulares e os protozoários.
Histórico
O início do estudo da Biologia das células deu-se no
século XVII, com as investigações do inglês Robert Hooke (1635-1703) e do holandês
Antony van Leeuwenhoek (1632-1723). Em 1665, Hooke publica o livro Micrographia,
no qual descreve e ilustra a estrutura celular da cortiça, um tecido vegetal
de revestimento. Em 1675, Leeuwenhoek aperfeiçoa o microscópio e descobre uma
grande variedade de formas de vida unicelulares, incluindo as bactérias
(em 1683). No ano de 1824, Dutrochet conclui que todos os tecidos, animais e
vegetais, são compostos por pequenas unidades, as células. Em 1830, Meyen faz
a suposição de que cada célula vegetal é uma unidade isolada e independente
e capaz de construir suas estruturas internas. No ano seguinte, 1831, Robert
Brown identifica o núcleo celular. Em 1832, Dumortier observa a divisão celular
em algas. Von Mohl, no ano de 1839, descreve em detalhes o fenômeno da mitose.
No período de 1838-1839, Schleiden e Schwann defendem a doutrina celular, afirmando
que todos os organismos são constituídos de células e que o metabolismo e o
desenvolvimento dos tecidos são o resultado da atividade celular. Em 1858, Virchow
corretamente explica que toda célula é originada de outra célula preexistente,
e que as células, como unidades da vida, são também o local primário das causas
das doenças. Durante os anos de 1880 a 1898, observaram-se as organelas: plastos,
mitocôndrias e aparelho de Golgi. Em 1907, Harrison consegue desenvolver um meio
para o crescimento de células animais em laboratório, assim futuros estudos de
metabolismo celular podem ser conduzidos sob condições experimentais controladas.
No século XX, entre os anos de 1930 a 1946 foi desenvolvido
o microscópio eletrônico que possibilita o estudo da ultraestrutura celular.
Paralelamente, o surgimento de técnicas de Bioquímica e Biologia Celular como
o fracionamento celular, a histoquímica deram um avanço extraordinário ao conhecimento
sobre as células e os organismos. A partir da década de 60, desvendou-se o papel
codificador e regulador dos ácidos nucléicos sobre o metabolismo e o crescimento
da célula por meio da síntese de proteínas.
Estrutura geral das células
Todas as células apresentam uma mesma estrutura formada
de membrana plasmática, citoplasma e núcleo (ou nucleóide). A seguir pormenorizamos
um pouco os componentes básicos celulares:
A membrana plasmática:
A membrana plasmática (também denominada membrana citoplasmática
ou plasmalema) é um delgadíssimo envoltório que delimita a célula e lhe dá individualidade.
Quimicamente, a membrana plasmática é composta de lipídios (notadamente fosfolipídios)
e proteínas atraídos uns aos outros por interações
hidrofóbicas não covalentes. Como resultado, a membrana é uma estrutura
flexível, embora resistente, que permite à célula mudanças de forma e tamanho.
A membrana consegue controlar a passagem das substâncias polares para dentro
e para fora da célula. As proteínas de membrana, além de constituírem a estrutura
da membrana, atuam como transportadores de solutos específicos, recebem sinais
externos, dão identidade antigênica à célula e atuam como enzimas.
O citoplasma:
Denomina-se citoplasma todo o conteúdo celular compreendido
pela membrana plasmática. O citoplasma é composto de um colóide
aquoso chamado citossol. No citoplasma das células eucariontes
(que compõem o organismo dos animais, plantas fungos e protistas) estão mergulhadas
estruturas membranosas, as organelas. As células
procariontes (que são as células das bactérias)
são de estrutura mais simples e não apresentam organelas. O citossol também
é denominado hialoplasma, e as organelas também são conhecidas por orgânulos
ou organóides. Encontram-se, dissolvidas no citossol, enzimas,
moléculas de ARN-mensageiro, açúcares pequenos, íons, aminoácidos, nucleotídeos,
e estruturas onde ocorre a síntese de proteínas, os ribossomos.
O núcleo (nos eucariontes) ou nucleóide
(nos procariontes): a região onde se localiza o material genético.
Com poucas exceções (como as hemácias de mamífero) todas
as células vivas possuem um núcleo ou um nucleóide, onde o genoma (conjunto
total de genes de um organismo) é armazenado.
As moléculas de ADN (ácido desoxirribonucléico)
são muito longas e ficam compactadas ("empacotadas") dentro do núcleo ou nucleóide
como complexos de ADN associado a proteínas específicas. O nucleóide das bactérias
não é envolvido por uma membrana, estando, assim, em contato direto com o citoplasma.
Já nos organismos de células mais complexas o material genético (ADN) é envolvido
por uma dupla membrana lipoprotéica, a carioteca ou envelope nuclear.
O núcleo dos eucariontes é uma organela, pois é composto de estrutura membranosa.
Células procariontes
As células dos organismos procariontes se caracterizam
por não possuírem organelas. Os seres procariontes
compreendem as bactérias, que se dividem em arqueobactérias
e as eubactérias. As arqueobactérias habitam ambientes de condições extremas
como águas muito salinas, águas quentes e ácidas, regiões profundas dos oceanos
e pântanos. Há diferenças de estrutura genética e de composição lipídica entre
as eubactérias e as arqueobactérias. As eubactérias são as mais estudadas e
conhecidas, pois têm grande importância ecológica, industrial e médica. Nas
eubactérias incluem-se as cianobactérias (estas últimas também conhecidas
pela antiga denominação "algas cianofíceas" ou "algas azuis").
As células procariontes são geralmente bem pequenas,
tendo 0,5 a 10 micrômetros de diâmetro. Apresentam, na região conhecida como
nucleóide, uma molécula circular de ADN
não combinada com proteínas básicas (histonas). Em grande parte das bactérias
existem moléculas pequenas de ADN circular, são os plasmídios. Estes
são independentes do ADN do nucleóide e conferem resistência a toxinas e antibióticos.
Ocorre parede celular, que tem composição química diferente da parede
celular das plantas. Nos procariontes, a parede celular contém peptidoglicanos
(polímeros de glicídio unidos por ligações cruzadas de aminoácidos.
Da sua superfície externa a bactéria pode projetar estruturas curtas, semelhantes
a cabelos, denominadas pilos, que servem para a adesão a outras células.
A síntese de proteínas tem lugar em pequenos ribossomos
livres no hialoplasma. Os procariontes não possuem citoesqueleto, um complexo
de proteínas fibrilares que dá forma e movimento nos eucariontes. Algumas bactérias
têm flagelos de estrutura simples, de cerca de 20 nanômetros de diâmetro. Os
flagelos servem para dar propulsão à célula no seu meio ambiente. A composição
destes flagelos é a proteína flagelina, diferentemente dos eucariontes,
onde os flagelos são feitos de microtúbulos, estes constituídos da proteína
tubulina. Alguns procariontes são autotróficos
e podem fixar o nitrogênio atmosférico em aminoácidos
usados em síntese de proteínas. As cianobactérias têm um extenso sistema de
membranas fotossintéticas mergulhadas em seu citossol, nestas membranas existem
pigmentos como a clorofila.
Células Eucariontes
As organelas citoplasmáticas
A organização interna das células eucariontes é complexa.
O citoplasma acha-se dividido em compartimentos, delimitados por membranas, as
organelas.
Uma célula pode apresentar certas organelas, e
não outras. Como exemplo, temos que uma célula da raiz não terá
cloroplastos, mas uma célula da folha possuirá
cloroplastos. No caso dos animais, como exemplo, um hepatócito terá um núcleo
muito ativo e não possuirá flagelo; já um espermatozóide usará um flagelo para
se locomover e o seu núcleo será muito compactado.
Além das organelas dos eucariontes, existem outras estruturas
que compõem as células:
Parede celular
É um envoltório rígido que envolve a célula de bactérias,
fungos e plantas. Tem a função de proteger a célula de danos mecânicos e também
evita que a célula arrebente quando mergulhada em um meio
hipotônico. A parede celular é permeável a diversas substâncias; possui
constituição química distinta em vegetais, fungos e bactérias.
Grãos de armazenamento e gotículas lipídicas
As células podem armazenar substâncias de reserva em
seu citoplasma. Deste modo, encontramos grãos de amido (em vegetais), glicogênio
(em animais e fungos), paramilo (em algas), gotículas de gordura (em muitas
células, como as de animais, fungos, etc.).
Ribossomos
Os ribossomos são o local
da síntese protéica nas células. Podem estar livres no hialoplasma ou aderidos
à face externa das membranas do retículo endoplasmático.
Centríolos
Estruturas de forma cilíndrica compostas de microtúbulos
protéicos. Os centríolos são ausentes em procariontes e em vegetais superiores.
Durante a divisão celular, em seu redor, forma-se o fuso mitótico.
Retículo endoplasmático
Rede de túbulos e cisternas achatadas mergulhados no
citoplasma. Dentre suas várias funções ressaltamos o metabolismo de lipídios
(incluindo a síntese de esteróides e fosfolipídios)
e a síntese de proteínas para exportação.
Complexo de Golgi
Esta organela também é denominada aparelho de Golgi ou,
simplesmente, Golgi. Foi descoberta pelo citologista italiano
Camillo Golgi que viveu no século XIX. Observa-se, no complexo
de Golgi, a síntese de enzimas e a gênese de lisossomas, estas organelas
responsáveis pela digestão celular.
Lisossomos
Estas organelas são vesículas esféricas repletas de enzimas
hidrolíticas que atuam em pH ácido. No animais e protistas, os lisossomas digerem
partículas alimentares provindas do exterior da célula, mas também podem degradar
organelas envelhecidas da própria célula num processo conhecido como autofagia.
As plantas não possuem lisossomas e a função semelhante destes é feita pelos
vacúolos.
Mitocôndrias
Têm sua estrutura formada de duas membranas que delimitam
uma matriz coloidal onde encontram-se enzimas, íons, dentre outras substâncias.
No interior das mitocôndrias ocorre a degradação oxidativa de ácidos
graxos e de grupos acetil (provindos da degradação da glicose). Neste
processo oxidativo (denominado respiração celular), participam o oxigênio
molecular, as enzimas do ciclo de Krebs e a cadeia respiratória, e são sintetizadas
36 moléculas de ATP (trifosfato de adenosina).
Cloroplastos
Há, nas células vegetais, organelas relacionadas com
a síntese de glicídios, os plastos. Os cloroplastos
são os plastos mais abundantes nos vegetais. Têm cor verde pois apresentam grande
quantidade do pigmento clorofila, responsável pela absorção de luz no
processo de fotossíntese. Assim, como as mitocôndrias, os cloroplastos
possuem duas membranas concêntricas que delimitam uma região coloidal, o estroma.
Mergulhado no estroma, existe um sistema de membranas. Parte da fotossíntese
acontece no conjunto de membranas internas e parte se dá no estroma do cloroplasto.
Pelo processo de fotossíntese há a síntese de substâncias orgânicas como, por
exemplo, a glicose.
Vacúolos
Os vacúolos são vesículas preenchidas com partículas
ou líquidos. São delimitados por uma membrana simples. Nas células animais e
em protistas, os vacúolos fundem-se com lisossomos e acontece a digestão do
conteúdo do vacúolo. Nas células vegetais geralmente existe um grande vacúolo.
O líquido deste vacúolo é chamado seiva vegetal e tem enzimas digestivas que
atuam em pH ácido.
Peroxissomos
Certos processos químicos oxidativos, como a degradação
de aminoácidos, produzem peróxido de hidrogênio
(H2O2) que pode lesar os componentes celulares.
Para proteger a célula há os
peroxissomos, organelas que possuem a enzima
catalase que catalisa a reação de degradação de moléculas de peróxido
de hidrogênio em água e oxigênio molecular. Os peroxissomos estão presentes
nas células eucariontes.
Núcleo
Nos eucariontes, o núcleo abriga o genoma, o conjunto
total de genes que é responsável pela codificação
das proteínas e enzimas que determinam a constituição e o funcionamento da célula
e do organismo. O núcleo é envolvido por uma dupla membrana porosa, a carioteca
ou envelope nuclear, que regula a passagem de moléculas entre o interior
do núcleo e o citoplasma. Os genes são segmentos de ADN, o ácido desoxirribonucléico,
molécula orgânica que armazena em sua estrutura molecular, as informações genéticas.
O ADN se combina fortemente a proteínas denominadas histonas, formando
um material filamentoso intranuclear , a cromatina.
O Citoesqueleto
Nas células eucariontes há uma rede tridimensional intracitoplasmática
de proteínas fibrilares, o citoesqueleto. Existem três tipos de proteínas
filamentosas no citoplasma: os filamentos de actina, os microtúbulos
e os filamentos intermediários. Muitos filamentos de actina se ligam
a proteínas específicas da membrana plasmática, deste modo conferem forma e
rigidez às membrana plasmática e superfície celular. Além de dar forma às células,
o citoesqueleto propicia movimento direcionado interno de organelas e possibilita
o movimento da célula como um todo (por exemplo, em macrófagos, leucócitos e
em protozoários). Nos músculos, a rede de proteínas fibrilares (notadamente
as proteínas actina e miosina) causa a contração e a distensão das células musculares.
Os microtúbulos formam os cílios e flagelos dos protistas e dos espermatozóides.
Durante a divisão celular, os cromossomos são
levados às células filhas pelo fuso, um complexo de microtúbulos.
Células de Animais
As células animais diferem em forma e tamanho conforme
o tipo de tecido a que pertencem. As células dos animais não possuem parede
celular, cloroplastos e o vacúolo central característicos das células de plantas.
De acordo com a sua função, uma célula apresentará organelas
mais desenvolvidas do que outras. Assim, células que secretam grande quantidade
de enzimas digestivas, como as do pâncreas, têm o aparelho
de Golgi bem desenvolvido. Podemos citar outro exemplo de especialização
celular, as hemácias, em que todo o citoplasma é tomado pelo pigmento hemoglobina.
Por este fato as hemácias não tem núcleo e as outras organelas. Como as hemácias
precisam ser carregadas dentro do líquido circulatório, o sangue, elas têm tamanho
pequeno e são de forma redonda.
Células de Vegetais
As células vegetais têm várias formas que dependem de
sua função e do tecido a que pertencem. São característicos da célula vegetal
a parede celulósica, os plastos, o vacúolo central.
Certas células vegetais apresentam glioxissomos,
que são peroxissomos que têm as enzimas do ciclo do glioxilato, uma via
metabólica que converte lipídios em glicídios quando da germinação das sementes.
Alguns vacúolos acumulam grande quantidade de pigmentos
arroxeados, as antocianinas. Deste modo certos órgãos da planta podem
ter cor avermelhada ou arroxeada, como as uvas e as folhas de trapoeraba.
As células vegetais comunicam-se entre si por pontes
citoplasmáticas, os plasmodesmos.
Células de Protistas
Os protistas são as algas unicelulares e os protozoários.
A célula de um protista é semelhante às células de animais e plantas, mas há
particularidades. Os plastos das algas são diferentes
dos das plantas quanto à sua organização interna de membranas fotossintéticas.
Ocorrem cílios e flagelos para a locomoção. Alguns protozoários, como certas
amebas, têm envoltórios protetores, as tecas. Os radiolários e heliozoários
possuem um esqueleto intracelular composto de sílica. Os foraminíferos são dotados
de carapaças externas feitas de carbonato de cálcio. As algas diatomáceas possuem
carapaças silicosas. Os protistas podem ainda ter adaptações de forma e estrutura
de acordo com o seu modo de vida: parasita, ou de vida livre.
Células de Fungos
As células fúngicas são as hifas. As hifas se
apresentam como filamentos curtos ou longos, revestido por uma parede celular
fina e tendo no seu interior a membrana plasmática, o citoplasma e as organelas.
Afora a ausência total de plastos e grãos de amido (os fungos são heterotróficos),
a célula de fungo pouco difere das células animais e vegetais. O polissacarídio
de reserva é o glicogênio.
Os fungos se reproduzem por esporos, tipo de célula
de cuja germinação se originam as hifas. A membrana dos esporos é bem diferenciada,
possuindo dois estratos: o endospório (interno) e o epispório (externo).
Sugestões para o uso do professor em sala de aula
(Boa para a profa. Liane!!!)
- Modelo de célula: o professor sugere aos alunos
a construção de um modelo uma célula "didática" animal ou vegetal. Pode-se
também sugerir modelos de células específicas, como neurônio, célula glandular,
etc. Devem-se usar materiais como massa de modelar, linhas, fios metálicos,
contas de plástico e vidro, gel para cabelos (usar para representar o citoplasma
coloidal). Além do componente lúdico, a construção de modelos fixa melhor
a estrutura espacial das organelas na célula.
- Tabela comparativa da estrutura e organelas de células
de:
- procariontes e eucariontes.
- célula animal, vegetal e de fungo.
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